Pentagram: A Lenda Caótica que Fundou o Doom Metal

Saudações, amantes do som pesado e das profundezas do underground!

Hoje, mergulhamos nas sombras de uma das bandas mais importantes — e caóticas — da história do metal: o Pentagram. Uma banda cuja trajetória é tão sombria e turbulenta quanto seu som, mas cujo legado é inegável.

Se o doom metal tem um nome que ecoa como fundação, é Pentagram.


Os Anos 70: O Berço do Doom nos EUA

Formada em 1971 em Alexandria, Virginia, o Pentagram nasceu no auge do rock psicodélico e do heavy metal primordial. Liderada pelo carismático e controverso Bobby Liebling, a banda começou a forjar um som pesado, lento, hipnotizante — um som que, anos depois, seria reconhecido como o berço do doom metal americano.

Influenciados por Black Sabbath, Deep Purple e o clima ocultista dos anos 70, o Pentagram não apenas imitava — eles reinventavam. Com letras sobre magia, morte, escuridão e transcendência, e uma atmosfera densa como chumbo, eles estavam à frente do seu tempo.

Mas o mundo ainda não estava pronto para eles.


A Marca da Instabilidade: O Preço do Gênio

A história do Pentagram é uma saga de talento, autodestruição e resiliência. E no centro dela, sempre, está Bobby Liebling — o único membro constante em mais de 50 anos de existência.

🔹 Mudanças constantes de formação
🔹 Dissoluções e reformas
🔹 Oportunidades perdidas por atitudes impetuosas

Em 1975, a Columbia Records estava pronta para lançar o primeiro álbum da banda. Mas tudo desmoronou por causa do comportamento de Liebling em estúdio. O álbum foi arquivado. Os fãs só o ouviriam décadas depois.

Nos anos 80, enquanto bandas como Saint Vitus e Trouble ganhavam espaço, o Pentagram lutava contra a invisibilidade. E Liebling, consumido pelo vício, enfrentava crises pessoais profundas — incluindo dois ataques cardíacos durante um show no Black Cat (D.C.), que cancelou uma turnê europeia.

Mais tarde, foi condenado à prisão por maus-tratos. Um momento sombrio, mas não o fim.


O Som que Moldou um Gênero

Apesar de tudo, a música do Pentagram nunca perdeu seu poder.

Com formações clássicas como a da era “Death Row” — com Victor Griffin (guitarra), Martin Swaney (baixo) e Joe Hasselvander (bateria) — a banda alcançou seu ápice criativo. E foi então que o doom metal americano ganhou sua identidade.

Características do Doom do Pentagram:

  • Afinações baixas e distorção pesada
  • Ritmos lentos, mas com groove hipnótico
  • Temas ocultistas, psicodélicos e introspectivos
  • Voz de Liebling: caótica, melódica, única — um “verrückt wirkendes Unikat” (um louco e único) que mistura Ozzy com um profeta do fim dos tempos.

Se você já se perdeu em um riff lento e pesado, sabe: você está ouvindo o eco do Pentagram.


O Legado: A Trindade Sagrada do Doom

O primeiro álbum oficial do Pentagram só foi lançado em 1985Relentless (originalmente auto-intitulado). Tarde? Sim. Mas foi fundamental.

Junto com Trouble e Saint Vitus, o Pentagram forma o que muitos chamam de:

“Holy American Doom Trinity”
(A Trindade Sagrada do Doom Americano)

Esses três álbuns de estreia, lançados entre 1984 e 1985, são os pilares do Traditional Doom Metal. Bandas como Cathedral, Electric Wizard e Sleep devem muito a essa trindade.

E sim: o Pentagram também ajudou a plantar as sementes do Stoner Rock, com sua mistura de psicodelia, groove e peso.


Do Esquecimento à Lenda: O Documentário que Mudou Tudo

Em 2012, o documentário “Last Days Here” colocou o Pentagram sob os holofotes globais. Uma obra poderosa, crua e emocionante, que mostra a luta de Bobby Liebling contra o vício, a redenção, e o amor inabalável pela música.

Foi o empurrão final para que uma nova geração descobrisse: o Pentagram não é só influência — é mito vivo.

Além disso, compilações como First Daze Here resgataram demos dos anos 70, mostrando que o som já estava lá — pronto, revolucionário, mas esquecido pelo tempo.


O Peso do Doom Tem um Nome

O Pentagram é a prova de que o verdadeiro legado não se constrói na fama, mas na persistência, na singularidade e na força do som.

Apesar das dissoluções, das prisões, dos vícios e das chances perdidas, a banda nunca desapareceu. Porque o doom — aquele som lento, pesado, que parece sair das profundezas da Terra — não existiria da mesma forma sem eles.


Da próxima vez que você ouvir um riff de doom que parece carregar o peso do mundo, lembre-se: há um pedaço do Pentagram nisso.

Eles não foram os mais famosos.
Não foram os mais estáveis.
Mas foram, sem dúvida, os pioneiros.


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Onde o metal verdadeiro nunca morre. Em breve: Trouble, Saint Vitus e os segredos do doom underground!

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